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O que eu aprendi com o diabetes

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A vida me matriculou na disciplina que, sinceramente não gostaria de estar inscrito.

Mas ela quis que fosse assim.

Dia após dia. Aprendendo uma nova lição, passando por inúmeras avaliações, estudando e aplicando os conhecimentos deste professor rigoroso chamado Diabetes.

Em meio a isso, algumas lições eu pude compreender e outras ainda busco assimilar.

– Entendi, que todos os dias novas lições são aplicadas no quadro. Posso copiar se quiser, posso memorizar cada conceito ou posso ignorar a aula do dia.
Esse professor não vai me chamar a atenção, mas vai cobrar adiante. Pode ter certeza.

– Ele me ensinou que preciso ser mais paciente comigo. Na verdade, que preciso desacelerar, pois a pressa com o Diabetes é uma grande inimiga.

– Tirar nota 100 na prova do glicosímetro é a meta. Acima disso é sinal que preciso fazer uma prova de recuperação, digo, correção.

– As provas trimestrais, chamadas de glicadas são de conceito específico e diferenciado. Preciso tirar conceito abaixo de 7. Caso contrário, a coordenação do curso (minha médica) me chama para aquela conversa, pois o conteúdo aplicado em sala não está sendo realizados de maneira correta.

– Posso pedir para ir ao banheiro e beber água, mas se toda hora fizer isso ganho uma advertência. Chamamos isso de hiperglicemia.

– Gosto das aulas de contagem de carboidratos. Preciso melhorar essa minha matemática de CHO!

– Você pode repetir esta matéria quanto as vezes quiser. Não sei por quanto tempo eu irei cursar essa matéria, mas pretendo a cada ano ser mais aplicado. Não desejo ser o melhor aluno, mas não pretendo me indispor com o professor.

– Nos intervalos das aulas preciso me alimentar. Caso eu não faça isso, a inspetora Hipoglicemia me chama no canto para uma conversa.

Como educador já pude viver muitas coisas em sala de aula, mas nessa matéria chamada Diabetes Tipo 1, cada dia é uma nova história.

Dias de conteúdos e momentos agradáveis, outros talvez nem tanto.

Enquanto eu continuar nessa escola, quero seguir aprendendo para ensinar aos meus a arte da vida sendo Eu e a Bete.

O legado olímpico

Se tem uma palavra como carioca que eu mais pude ouvir nos últimos anos foi “Olimpíadas”. A maior parte delas massacrando negativamente a realização deste evento aqui no Rio de Janeiro.

Como morador desta cidade, cabem inúmeras reflexões e visões sobre o assunto, mas se acha que irá ler mais um lamento e nada sobre diabetes está enganado.

Lembro que desde 92, eu me animo em assistir na TV todos os jogos e programações e claro, sempre desejei, como na copa do mundo, participar do maior evento esportivo do planeta.

copa do mundo

Quando recebi a notícia que em 2016 os jogos seriam aqui, sinceramente não comemorei. Minha visão sobre o assunto é bem simples: Não sou contra os jogos olímpicos, mas contra um Estado tão flagelado, sem nenhum incentivo a cultura e muito menos o esporte ser um grande palco de um atração como essa.

Não vou me privar em participar de alguns jogos, pois até comprei os meus ingressos. Não tenho vergonha disso, não torço pelo pior, compartilho o descaso e a “maquiagem” feita para turista ver.

Sobre a vergonha, a coisa está tão feia que realmente falar que você vai a algum evento, gera revolta das pessoas. Mas vem cá, o erro não é meu, correto?

Tá Pablo, mas onde vem o diabetes?

Vem no principal pilar que defendo como professor: EDUCAÇÃO!

Esse é o principal legado, que precisamos construir, que ainda estamos distantes demais de atingir e que precisamos de longe, antes de criticar algo, antes mesmo até de achar graça ou incentivar uma campanha para apagar uma tocha. E nisso até eu próprio erro. Se tornou natural a falta de educação de um modo geral.

Retornando sobre a Bete, quero entrar nos ginásios e não sofrer pela falta de informação e orientação das pessoas com o meu glicosímetro, com as tiras e insulinas. Irei todos os dias com o meu kit da Bete, com a receita médica e espero que não aconteça nenhuma situação constrangedora. 

SEGURANÇA DA OLIMPÍADA CRIA RESTRIÇÕES PARA PESSOAS COM DIABETES

Que comecem os jogos com paz, alegria e Cristo, olhai por nós.

cristo redentor

Mesmo sendo imperfeito que aconteça, que não venha dor, mas que sirva de experiência, aprendizado e que o legado olímpico venha no respeito, na informação e na educação.